Depois do meu primeiro amor florescer, crescer, murchar e apodrecer eu passei muito tempo pensando “nela”. “Ela” nesse caso é a primeira namorada. Passei muito tempo com o nome/rosto/sorriso dela na cabeça. E ai eu me perguntava “será que eu vou pra sempre ficar preso a ela?”.
Veio ai o segundo relacionamento, mesmo ciclo. Eu ainda não aprendi a ter paciência pra cuidar das flores do meu jardim, então o mesmo ciclo se repetiu, mais uma flor murchou.
De novo me senti preso pensando “nela”. Só que dessa vez “ela” não tinha mais rosto nem nome. “Ela” é a idealização da felicidade de ter alguém que se ama por perto. O motivo pelo qual eu passei tanto tempo preso pensando “nela” é justamente porquê essa felicidade cristalizada é algo que eu não consigo desistir. O que aconteceu foi que eu direcionei minha vontade de ter alguém a ela.
Isso tudo me parece perfeitamente razoável e esperado até, o que realmente me deixou surpreso comigo mesmo é o quanto eu ainda consigo direcionar emoções e sensações a imagem “dela” mesmo que essa imagem não tenha rosto nem nome mais. Talvez seja simples carência ou desespero, mas acho impressionante o quanto eu consigo imaginar e sentir coisas com “ela” mesmo sem nem saber quem ela é.