você pulando do vigésimo andar do prédio no centro.

eu, assistindo lá de baixo

se eu tivesse dito algo talvez você não pulasse.

ou talvez só piorasse as coisas.

meu silencio mandou você se jogar

se eu tivesse te segurado talvez você não tivesse caído.

ou talvez te assustasse e te fizesse pular antes.

minha apatia te empurrou da beirada.

você,

mergulhando de cabeça no asfalto.

espalhadas pela rua, suas cinzentas memórias;

a multidão,

la em baixo assistindo o show.

sua vida carmim pintando a avenida;

eu,

o maestro do espetáculo.

quadro trágico, e sou eu o autor.

assistindo a tudo incapaz de sequer esboçar uma emoção,

assustado de mais pra tomar qualquer forma de ação,

ainda sem processar qualquer aspecto da situação,

eu assisti.

e apenas quando já era tarde de mais eu percebi:

eu me matei.