eu mal te conheço

mas eu já penso com carinho das nossas memórias juntos

eu mal te conheço

mas eu já penso com carinho da nossa casa com tijolos marrons

eu mal te conheço

mas eu já penso com carinho da gente envelhecendo juntinho

eu mal te conheço

mas eu já penso com carinho sobre você falando com a sua terapeuta sobre mim

eu mal te conheço

mas eu já penso com carinho de você as 3 da manhã ligando pra policia assustada

eu mal te conheço

mas eu já penso com carinho sobre convencer todos os seus amigos que você enlouqueceu e só esta segura comigo

eu mal te conheço

mas eu já penso com carinho de estar no tribunal por ter violado a medida protetiva

eu mal te conheço

mas eu já penso com carinho sobre você mudando de cidade e de telefone e mesmo assim eu te achando

eu mal te conheço

mas eu já penso com carinho sobre como vai ser te conhecer

Notas do Autor

Recentemente eu descobri que tem gente que acompanha o que eu escrevo aqui, então acho valido uma explicação

As vezes eu gosto de imaginar como seria uma perspectiva diferente, uma versão “pior” e exagerada das partes de mim que eu não gosto e explorar esse lado. A ideia desse texto surgiu quando eu disse pra alguém por quem eu estava/estou apaixonado que estava interessado na pessoa e ela respondeu “você não me conhece”.

Eu tenho um problema de me apaixonar rápido demais e intensamente demais. Logo eu quis explorar isso na sua versão mais extrema.

Eu quero eventualmente conseguir olhar pras partes de mim que eu não gosto nos olhos e extrair alguma expressão artística relevante disso (ainda tenho que melhorar muito).

O que eu to tentando dizer é: não liguem pra policia. Eu não sou perigoso, só entediado.