Fosse eu o autor e você o herói,
bem mais feliz essa história seria.
Mas a protagonista tão bravo quanto tens sido,
bem pouco trama tão simples serviria.
Engole teu choro e desce pra arena;
inquieta, a plateia anseia lhe aplaudir.
Mostra pra eles tua força e beleza,
tal qual par não há jamais de existir.
Derrote a besta, seja ela qual for.
Pouco importa! Ela há de sucumbir!
quantas outras já derrotara,
Quão pouco temes qualquer outra que possa surgir.
Verdade ou mentira que possam ser,
essas minhas palavras aqui são de oração.
Cabe a você, meu escolhido,
Se as tornará em profecia ou talvez, só febril alucinação
Escolhe!
Bem sabes que agora tem que escolher,
Talvez a única escolha que você já teve.
Não sobre quais outras batalhas ira travar,
Mas daquelas vitória cuja, outrora cedeste.
“O herói foi derrotado, o vilão venceu!”, proclamaram os incrédulos em sua heresia.
Pega tua espada e confirma minha fé, mostre a eles o pecado de sua apostasia.
Derrotado de novo será.
Vitorioso de novo renascerá.
Muitas lágrimas cairão dos seus olhos.
Em muitos escombros virará destroços.
Rejubilarás em vão.
Será tratado como um cão.
Pelo mundo e por si próprio.
Até com o diabo farás negócio.
Venderás tua alma, corpo e fé.
Virará outra pessoa, da cabeça aos pés.
Tão puro e ingênuo como foi o primeiro.
Só que, mais vil e nefasto do que qualquer outro terceiro.
Se cobrirás de falsidade.
Se convencera que é verdade.
Percebera teu erro e irá chorar.
Nenhum leito o descansará.
Não importa o quanto procure,
Não acharás jamais remédio que o cure.
Dessa chaga da alma que sangra em infecção.
De ferida de novo reaberta por auto mutilação.
Vai procurar, procurar e procurar
Se entristecer, chorar e se desesperar.
E repetir…
Até que te canse e finalmente desista.
Talvez aí, não te falte “só mais uma conquista”.
Se apercebera, finalmente,
que já lutaras o bom combate.
Que em guerra sequer, jamais esteve,
quão pouco necessitava de embate.
Se encaminharas a cama,
e se colocaras a dormir,
Finalmente, pela primeira vez, sonharás esperançoso,
com um amanhã, que ainda está porvir.
Porém a ti eu jamais minto,
e por mais que me pese o peito,
verdade cruel eu sempre lhe prometo.
Pra alguém que considero com tanto afinco,
menos que isso seria completo desrespeito.
Então, por mais que queira, aqui não devo
Encerrar esta carta com promessas de paz.
Ambos nós, muito bem sabemos,
A promessa da vida é a de sempre mais.