dia bonito

abraçado com toda a hipocrisia do mundo

você deu seu mais sincero sorriso.

deixou toda verdade do mundo escapar dos seus dedos,

só pra escrever novas mentiras tão falsas quanto as últimas.

você sabe que pode fazer o que quiser e esquecer amanhã,

e é exatamente isso que você faz.

você sabe se enganar que “todo mal foi pra bem”,

e redenção é que o maldito destino sempre lhe trás.

amanhece e você acorda sabendo que merece ser feliz,

mesmo depois de passar horas chorando o mal que causou.

se torna herói da sua história enquanto é vilão de tantas outras.

mas basta uma noite de sono e pronto, tudo passou.

e toda vez eu torço tanto pra você mudar

pra não se perdoar e entender de verdade o peso da sua existência.

mas você não muda, você continua vencendo.

num jogo doentio que só você dita as regras

quando você vai perder?

quando vai sofrer as consequências?

porque só eu tenho que saber o peso de tudo que você fez

enquanto você esquece e sorri?

se redime de novo e de novo

sem nunca pagar a penitencia

se convence que esta arrependido

e é de novo perdoado com clemencia

eu não sou você e eu nunca vou ser você

eu nunca sorriria sabendo tudo que eu sei

eu nunca seria feliz tendo feito tudo o que você fez

e ainda assim você sorri, encharcado de todo o sangue que eu derramei

ninguém te conhece como eu te conheço

e ainda sim você me abandona

só pra poder sorrir de novo

eu ainda vou te matar

promessa de alegria

este é meu túmulo

aqui jaz meu luto de despedida

de a cada suspiro enterrar um novo eu

e que a cada momento uma vida inteira seja vivida

e que ela se encerre no momento em seguida

que eu morra de novo

que a alegria do luto seja minha despedida

e que a cada verso, palavra, pensamento e suspiro

há de nascer um novo eu tão vivo e pronto pra morte quanto o último

e que essa dor de escrever e renascer cesse

que dessa dor de parto nasça um eu sem dor de morrer

e que a dor nunca acabe

que eu nunca canse de renascer

que eu acredite em minhas palavras e torne verdade a poesia

que eu morra a cada suspiro

eu quero no próximo querer viver

que eu escreva tudo que quero escrever

quero viver a vida sem medo de morrer

sem rima sem prosa sem estrutura

quero que o ritmo da vida seja a batida que me guia

que a dor do meu peito faça meu coração bater poesia

eu vou fazer da batida do meu peito minha magia

eu vou

há feitiço tão cruel quanto eu vou?

há promessa mais falsa do que toda aquela que é feita?

eu vou prometer

eu vou descumprir

eu vou morrer

eu vou renascer

eu vou sofrer

eu vou sorrir

a promessa existe porque existe mentira

a mentira existe porque a mente cria

a criação existe pra entender

e o discernimento só existe pra te confundir

eu quero nascer de novo tão ignorante de mim mesmo quanto eu sempre fui

eu vou viver minha vida tão errado quanto eu sempre fui

eu vou escrever poemas tão poucos poemas quanto toda minha poesia

eu vou abandonar a rima e a estrutura pra viver minha vida

eu vou nascer

aqui jaz todas as promessas dessa minha vida vida que acabou de começar

aqui trago o júbilo de minha criação mais linda

e que eu pare de escrever que vou e o faça

novo sou, tão confuso com o último

morto estou, tão vivo quanto o primeiro

cativante

foi quando você me disse o quão arriscado é

que eu tive certeza que vale a pena tentar

é porque eu sei que me arrasaria se desse errado

que eu sei o quão bom vai ser se der certo

“tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”

e ó, não fazes a menor ideia do quanto me cativaste

despedida precoce

se eu não me conhecesse tão bem

eu me apresentaria a você

se eu não gostasse tanto de você

eu iria querer que você ficasse

e se eu acreditasse que eu vou mudar

eu teria ficado aquela noite

valsa eterna

se te convidasse pra dançar

bailarias comigo até o dia amanhecer?

assistindo ao nosso espetáculo, as estrelas e a lua

se então te pedisse pra ficar

se permitiria comigo do tempo esquecer?

do meu pranto de despedida, o sol seria testemunha

ei de clamar a banda e o maestro

que a qualquer custo e sacrifício, à de a orquestra prosseguir

não quero que nossa valsa acabe

insuportável me é a dor de ter que te ver partir

posso eu então lhe fazer meu mais sincero convite?

mas não me interessa balada efêmera

quero todo dia te pedir de novo a mão

pra uma nova valsa como a primeira