1 – Carta para o Ed 1

Ei Ed, desculpa não ter entrado em contato por tanto tempo, aconteceram várias coisas (várias mesmo). Vou tentar resumir:

Conheci uma pessoa, Mary, e bastante coisa mudou desde então. Vou começar pelo dia que nos conhecemos.

Aquele dia foi bem “peculiar” por falta de uma palavra melhor pra descrever. Estava no balcão como de costume quando ela entrou na sala de espera. Obviamente ela não era uma funcionária como as outras pessoas que eu atendo, tirando as roupas que claramente não eram um uniforme, tinha algo completamente diferente sobre ela, algo “amarelo”.

Eu tomei um susto quando, olhando ao redor como quem procura algo, ela parou o olhar diretamente na minha direção com uma expressão de quem encontrou o que queria enquanto vinha diretamente ao balcão. A essa altura você já deve imaginar que eu já estava pensando que ia ser um saco lidar com ela, mas ela simplesmente veio até o balcão me perguntou meu nome e, após confirmar minha resposta disse “ah, então te encontrei”, me deu um sorriso e foi embora.

Achei aquilo muito estranho, mas não era o primeiro cliente esquisito que já tive no trabalho. Não dei muita importância na hora, honestamente só estava aliviada de não ter acontecido nada complicado, e segui com meu expediente.

E ai que fica realmente interessante. Depois do expediente me chamaram pra falar com a conselheira, lá no nosso abrigo. Apesar de ter achado um pouco estranho, já que as ela não fazia isso a uns meses, imaginei que era só mais burocracia.

A moça estranha (spoiler spoiler, é a Mary) encontrou comigo na entrada. “Encontrou” não é bem a forma correta de descrever, ela me puxou do nada quando eu passei por um beco, foi como se ela tivesse surgido do nada. Ela me explicou um pouco a situação: segundo ela eu tenho uma habilidade que a escola dela estava interessada, mas como eu já estava num contrato com a fábrica ela ia ter que usar métodos “pouco ortodoxos” (palavras dela) pra conseguir me matricular. Ela me olhou com um olhar cheio de expectativa e perguntou “E ai, o que acha?”. Ela viu que eu claramente não estava comprando muito a história e disse, dessa vez com um olhar um pouco irritado, “Olha, essa é uma oportunidade rara, as vagas no instituto são super concorridas, e…” ela puxou a carta secreta dela “aposto que você quer saber mais sobre porque você vê coisas que ninguém mais vê…”

Ed, você sabe que eu só aceitei ir pra fábrica porque não tinha mais pra onde ir, nunca liguei muito pra aquele lugar. Contanto que eu pudesse ler meus livros e tivesse mais liberdade de ir aonde eu quiser do que no orfanato eu teria aceito qualquer coisa, mas, essa história toda parecia muito incerta. Mas Ed, quando ela falou dos meus olhos eu não conseguir deixar pra lá, quer dizer, como ela sabia dos meus olhos? Você é a única pessoa pra quem eu contei disso, e eu sei que você não ia sair contando por ai. Eu já estava me virando pra ir embora quando ela falou dos meus olhos, por um meio segundo eu pensei por várias horas até decidir e falar pra ela “Ok, o que eu tenho que fazer?”. Ela só disse pra eu concordar com o que ela dissesse, assim, sem nenhuma explicação. Ela me empurrou em direção a entrada do abrigo e quando eu me virei na direção dela ela havia sumido.

Resumindo, a Mary estava na sala da conselheira me esperando. Depois de algumas perguntas sobre como eu estava indo na fábrica e na escola nova a sra Teresa me explicou a situação. A tal moça disse ser uma tia de segundo grau e queria me adotar (acredita?) e, como a Teresa não achou registro sobre ela nos meus documentos no abrigo, ela queria que eu confirmasse a história. Segundo ela meu contrato com a fábrica limitava o processo de adoção e a Teresa precisava autorizar a adoção e atestar sobre o parentesco.

Antes de eu ter a presença de espírito pra dizer algo a Mary começou a falar “Elleni e os pais dela me visitaram várias vezes quando ela era menor” ela ainda virou pra mim e disse “Naquela época você não parava de falar de como adorava a tia Mary, né Ellin!?”.

Confesso que eu estava me segurando pra não rir da coragem dessa tal de Mary. Mas, Ed, quando eu olhei pra ela, alguma coisa, não sei bem dizer o que, alguma coisa no jeito como ela parecia acreditar na história que estava contando, alguma coisa na expressão alegre e despreocupada dela me fez confirmar a história. Até agora não acredito que fiz aquilo, mas eu virei pra Teresa e disse “Tinha tempo que a gente não se via então eu não te reconheci imediatamente, mas, bom te ver tia Mary”. Depois disso a Mary disse que não tinha entrado em contato antes porque ela não sabia o que tinha acontecido com meus pais, aparentemente ela voltou de viagem de outro país recentemente, honestamente eu não prestei muita atenção no resto da conversa (ainda estava processando o que estava acontecendo).

Então é isso Ed, eu to morando com a Mary agora. Eu tenho um quarto (um de verdade, só meu) e moro numa floricultura (mal posso esperar pra te contar sobre). A viagem foi longa e chegamos aqui já de noite, ela só me resumiu que ela planeja cuidar de mim e em troca eu vou estudar numa escola de magia e ajudar na floricultura. Ela disse que eu tenho que acordar cedo porque ela ia me explicar tudo amanhã de manhã antes da escola então eu tenho que ir dormir.

Amanhã te conto o resto, se cuida. E me fala como estão as coisas por aí qualquer hora.

carta pra mim

Continuarei tentando e tentando

eu falho e me quebro

A cada falha eu me conserto

eu me remendo e fortaleço

Porém você precisa de paciência

você vai ter que me assistir falhar

Porém preciso que tenha fé

só vou conseguir se você acreditar

Eu preciso que você tenha fé no que nem eu acredito

Eu preciso que você acredite no que nem sei se é verdade

e o mais importante

Eu preciso que você entenda que falhar não é derrota

Livro preferido (v2)

Meu gênero predileto é o seu corpo,

Seus lábios são minha estrutura poética favorita

Os romances que eu mais leio são os nossos.

Você é, e sempre foi, meu livro preferido

Seus capítulos são a melhor leitura do meu dia,

a única que não me canso de repetir.

As linha das curvas do seu corpo,

minha escolha de leitura noturna

Queria poder te classificar,

Seus olhares são anedotas de mistério;

Suas palavras, prosas de aventura;

Suas lágrimas, sonetos de tragédia;

E seus sorrisos, fábulas de fantasia.

Queria saber a cor da capa da sua alma.

Te trago no bolso do peito

Assim nunca fico entediado.

E treino todo dia pra te ler melhor,

saber te ouvir,

saber te assistir,

te esperar,

te sentir

te amar, e assim:

te saborear.

Queria saber o gosto do seu ser

Notas do autor

Estou planejando refazer alguns textos antigos que eu gosto e sinto que poderia explorar melhor a temática agora que eu sinto que escrevo um pouquinho melhor (na minha humilde opinião). “ Livro Prefiro ” é o primeiro da lista

Eu tenho bastante carinho por esse texto, tanto por ter escrito ele numa fase bem importante, apesar de complicada, da minha vida quanto por achar um tema extremamente interessante. A idéia de “ler” alguém, saborear a convivência como quem lê um livro, é algo extremamente poético e representativo de um amor romantizado na minha opinião.

Estou bem satisfeito com como essa versão está ficando comparada com a anterior. Estou empolgado pra continuar com esse projeto.

mais uma carta

Ei. Tem tempo que a gente não se fala, mas eu achei que era uma boa hora de dar um update. As coisas estão indo bem pra mim, espero que pra você também. Finalmente consegui fazer amigos, agora não é mais só você.

Eu lembro que eu prometia por 2 anos que ia voltar a trabalhar, mas dessa vez eu realmente voltei. Espero que esteja orgulhosa de mim. Achei motivos pra gostar de viver, espero que você tenha achado os seus também.

Minha mente já não é mais só você. Mas nos piores dias você ainda é tudo que eu consigo pensar.

Demorou, mas estou seguindo em frente. Espero que você também.

Queria que você ainda estivesse aqui pra dizer “tá tudo bem, você consegue”. Mas tenho orgulho de dizer que eu consigo sozinho.

Tomara que as coisas deem certo pra gente, mesmo que “a gente” não exista mais.

Boa sorte e até mais. Do seu velho amigo, █████.

Notas do autor

Esse texto era privado, eu realmente escrevi isso só pra mim mesmo, mas enquanto reorganizava o blog reli ele e gostei. Resolvi deixar publico

bad songs

i cycle trough the radio looking for answers

but your voice isn’t in any station

music has always been the only drug that gets me high

is it weird that i want to listen to my favourite song again?

i still listen to the bands we used to listen together

and none of them are any good

our favourite songs still are on my playlist

but i always skip them

one day I’ll start enjoying music again