o fim

meu último texto “a pior desgraça imaginável” conclui um capitulo da minha vida. capitulo esse que documentei ao longo de uma década nesse blog.

esse blog foi uma forma de expressar uma parte de mim que precisava ser expressada enquanto eu crescia. comecei a escrever ele com 16 anos (os primeiros textos foram deletados), agora tenho 27. documentei aqui alguns dos piores e melhores momentos da minha vida e as maquinações obsessivas da minha mente.

nos últimos anos comecei a perceber um padrão e já imaginava que esse momento ia chegar e fiz meus textos o antecipando. algo dentro de mim sempre soube o que seria a pior desgraça imaginável pra mim então deixei algumas dicas em meus outros textos. planejo eventualmente os revisar e tornar a experiencia de descobrir a senha mais concisa.

para qualquer pessoa que um dia encontre esse blog e descubra a senha do meu último texto, me sinto confortável em dizer que você verdadeiramente conheceu Iam Gonçalves Ravara (eu). muito obrigado, sempre quis que alguém me conhecesse.

esse último post que você está lendo está agendado para ser publicado em meu aniversário de 28 anos. por algum motivo sempre tive a impressão que pessoas interessantes morrem aos 27 . Talvez por causa dessa música da minha banda preferida:

e acho bem poético que foi aos 27 que pela primeira vez eu tive certeza que não vou me matar. por algum motivo passar dos 27 sempre foi algo que eu via como um marco. salvo alguma tragédia, passarei dos 27.

modéstia a parte eu acho que o enigma do meu texto ficou bem legal. alguns amigos que conseguiram descobrir a senha com dicas acharam bem interessante. mas honestamente, eu estou confortável com ninguém nunca descobrir a senha. aprendi, em partes, a entender a mim mesmo. isso já me é o bastante.

se você leu meus textos você provavelmente sabe que eu não sou bom com conclusões. então é isso. adeus.

dissociação eletiva

Fosse eu o autor e você o herói,

bem mais feliz essa história seria.

Mas a protagonista tão bravo quanto tens sido,

bem pouco trama tão simples serviria.

Engole teu choro e desce pra arena;

inquieta, a plateia anseia lhe aplaudir.

Mostra pra eles tua força e beleza,

tal qual par não há jamais de existir.

Derrote a besta, seja ela qual for.

Pouco importa! Ela há de sucumbir!

quantas outras já derrotara,

Quão pouco temes qualquer outra que possa surgir.

Verdade ou mentira que possam ser,

essas minhas palavras aqui são de oração.

Cabe a você, meu escolhido,

Se as tornará em profecia ou talvez, só febril alucinação

Escolhe!

Bem sabes que agora tem que escolher,

Talvez a única escolha que você já teve.

Não sobre quais outras batalhas ira travar,

Mas daquelas vitória cuja, outrora cedeste.

“O herói foi derrotado, o vilão venceu!”, proclamaram os incrédulos em sua heresia.

Pega tua espada e confirma minha fé, mostre a eles o pecado de sua apostasia.

Derrotado de novo será.

Vitorioso de novo renascerá.

Muitas lágrimas cairão dos seus olhos.

Em muitos escombros virará destroços.

Rejubilarás em vão.

Será tratado como um cão.

Pelo mundo e por si próprio.

Até com o diabo farás negócio.

Venderás tua alma, corpo e fé.

Virará outra pessoa, da cabeça aos pés.

Tão puro e ingênuo como foi o primeiro.

Só que, mais vil e nefasto do que qualquer outro terceiro.

Se cobrirás de falsidade.

Se convencera que é verdade.

Percebera teu erro e irá chorar.

Nenhum leito o descansará.

Não importa o quanto procure,

Não acharás jamais remédio que o cure.

Dessa chaga da alma que sangra em infecção.

De ferida de novo reaberta por auto mutilação.

Vai procurar, procurar e procurar

Se entristecer, chorar e se desesperar.

E repetir…

Até que te canse e finalmente desista.

Talvez aí, não te falte “só mais uma conquista”.

Se apercebera, finalmente,

que já lutaras o bom combate.

Que em guerra sequer, jamais esteve,

quão pouco necessitava de embate.

Se encaminharas a cama,

e se colocaras a dormir,

Finalmente, pela primeira vez, sonharás esperançoso,

com um amanhã, que ainda está porvir.

Porém a ti eu jamais minto,

e por mais que me pese o peito,

verdade cruel eu sempre lhe prometo.

Pra alguém que considero com tanto afinco,

menos que isso seria completo desrespeito.

Então, por mais que queira, aqui não devo

Encerrar esta carta com promessas de paz.

Ambos nós, muito bem sabemos,

A promessa da vida é a de sempre mais.

luto em vida

hoje encontrei meu amigo que morreu

enquanto a gente conversava eu finalmente aceitei que nunca mais vou poder falar com ele

fica especialmente difícil superar sua morte quando encontro com ele

fica especialmente difícil aceitar que nunca mais vou falar com ele quando a gente conversa

mundo doente

ideia é doença, infecção inflamada

confusão é a ferida que precisa ser tratada

mente fraca inventa e infecta a chaga da dor

alma forte enfrenta e transforma o medo em amor

voltar pra carne devemos e sentir todo o seu amargor

chorar todas as lágrimas e se desprender de todo o rancor

dor de parto sentimos, do mundo novo que gestamos

pra parir o amanhã melhor, o ontem ruim sacrificamos

nos atacamos e nos torturamos

só por temer esperar o que sonhamos

por medo e orgulho esquecemos,

de lembrar o que já somos

abram as garrafas e encham os copos

um nascimento emos de celebrar

peguem as pás e cavem as covas

um mundo morto iremos enterrar