chance

você me daria essa chance?

de te fazer a garota mais feliz do mundo

eu sei que não parece uma boa aposta

mas me dê um pouco de fé

e eu te garanto que você vai ser a garota mais feliz do mundo

não posso te prometer que vou ser perfeito

mas te prometo que vou ser o melhor que eu posso ser

mas só se você me der essa chance

ódio x amor

Como posso ser melhor pra você

Se eu nem acho que te mereço

Como posso querer melhorar

Quando eu sou a pessoa que eu mais odeio

Pra ser alguém melhor, quem você merece ter

Eu teria que me amar, mas

Como me amar

Quando eu não consigo me perdoar

Como me perdoar

Quando fui eu que te fiz sofrer

Eu deveria desistir de você e te deixar ir

Como te deixar ir

Quando você é a única coisa que eu quero ter

O que vai ganhar, meu amor por você ou meu ódio por mim?

Notas do autor

Ultimamente tenho sentido bastante empatia pelo x. Apesar de não ter feito merda na mesma proporção que ele.

É uma situação realmente complicada. Querer ser alguém melhor pelas pessoas que você ama pra não repetir os mesmo erros, mas ao mesmo tempo sentir um ódio imenso pelas suas ações do passado.

Recentemente acabei afastando alguém que eu gostava, meu girassol (que não é mais meu, nunca foi na verdade). Isso me fez perceber algumas falhas de personalidade graves que tenho. E pra corrigir essas falhas eu teria que me amar e me perdoar, o que é bem difícil.

Uma coisa que eu acho que as pessoas de fora não percebem é que você não escolhe ser uma pessoa ruim. Todo mundo sente isso em alguma escala, e é bem fácil sentir repulsa por alguém que ta numa situação pior do que você. Muita gente achava o X um babaca violento, o que não está errado, mas o ponto que acho que muita gente não percebia é que ele também pensava isso. É bem difícil investir em melhorar algo que você não gosta, e isso se aplica a si mesmo.

Artisticamente acho o X um pouco pretensioso de mais, mas acho que essa situação de ser um babaca, saber disso e querer virar algo melhor é algo que eu consigo me conectar.

Ódio por si mesmo e amor (seja ele da forma que for) é uma batalha realmente difícil de se travar.

Infelizmente ainda não consegui chegar em uma conclusão, apenas a de que quero lutar pra ser feliz. Então esse texto vai ser simplesmente isso, pra dizer que essa luta é difícil, não tenho nenhuma conclusão a dar.

água

queria ser mais como a água

preencher o recipiente

me adequar

passei tempo de mais sendo fogo

essa chama que me movia pra frente

queimou tudo que eu amava

O Pudim.

Naquela memorável manhã sua família teve uma surpresa ao acordar. Pela primeira vez dona Izaleia não estava na cozinha. Ao invés disso ela os esperava na sala de estar, com um sorriso triunfante.

Para qualquer outra família isso não significaria muita coisa, mas era claro o estado de choque em seus rostos.

O espanto deles torna-se bem mais razoável conhecendo dona Izaleia. Uma senhora que já estava neste mundo a 97 anos e passara os últimos 50 destes majoritariamente na cozinha.

Sua rotina era religiosamente igual, como um monge ancião fazendo suas preces diárias nas montanhas. Desde a hora que acordava, que era sempre muito cedo, até a hora que ia dormir, que era sempre bem tarde, dona Izaleia estava aperfeiçoando sua arte.

Pudim após pudim, era difícil saber quantos ela fazia por dia. O Pudim era feito, escrupulosamente analisado (com ferramentas que ela mandara fazer sob medida para este fim) e ultimamente rejeitado e descartado.

Izaleia não competia com as vizinhas ou amigas, ela não tinha tempo pra checar os pudins que outra pessoas faziam, estava ocupada fazendo pudins.

Pilhas de caixas com os pudins enchiam a dispensa. A família já havia se acostumado a dar os pudins a vizinhos e conhecidos, já que as vendas não davam conta da quantidade produzida diariamente. Era difícil dizer se o negócio estava lucrando ou sequer pagando os ingredientes que alimentavam a obsessão de dona Izaleia.

Nos últimos anos a família estava particularmente preocupada, já que, ao invés de diminuir, a produção de pudins por dia continuava a gradualmente aumentar.

Até que um dia, aquela manhã histórica se decorreu.

Dona Izaleia estava em pé, do outro lado da mesa, como quem já havia ensaiado essa cena várias vezes. Seus olhos, claramente marcados por uma noite mal dormida, já quase não abriam em meio as rugas e ao sorriso. Ela, uma senhorinha da altura do neto mais novo que tinha uns 13 anos na época, era uma visão colossal e amedrontadora.

Em um único movimento extremamente gentil, porém de um poder imenso, ela colocou a bandeja que segurava na mesa. Apesar do extremo silencio (acentuado por todos estarem segurando o folego) todos sentiram a casa estremecer quando a bandeja tocou a mesa.

Sem tirar os olhos dela (nem mesmo pra piscar) viram dona Izaleia aumentar o sorriso em seu rosto e dar um leve suspiro. Foi como se naquele suspiro ela tivesse se aliviado de um peso que carregava a vida toda. Todo seu corpo relaxou e suspirou junto.

Foi então, após se recuperarem do choque e voltarem a seu sentidos, que toda a família viu:

O PUDIM.

Alguns relatos da história dizem que Izaleia morreu ali mesmo, após entregar o pudim, outros dizem que ela pereceu pouco tempo depois.

Apesar dos relatos incongruentes entre si e os prováveis exageros e romantizações, a quantidade de relatos de fontes distintas tornam inegáveis alguns fatos e a veracidade do causo.

Portanto, aqui registro e atesto como testemunha.

Naquela cidade inegavelmente uma lendária senhora de nome Izaleia dedicou a maior parte de sua vida a fazer pudins, e, em uma manhã mostrou a sua família a culminação do projeto de sua vida. Seu Magnum opus, algo que não considero justo chamar pelo mesmo nome do que nós mortais chamamos “um pudim”. E assim a lenda foi criada.

Notas do Autor

Eu recebi a imagem do pudim de uma amiga numa conversa casual. Ela obviamente achando interessante e num tom alegre, porém a imagem me deixou perplexo e de certa forma triste.

Tendo eu já tentado fazer pudins e sabendo a dificuldade de fazer o dito cujo sair com uma aparência decente, o primeiro pensamento que tive ao ver a imagem é de que a pessoa que o fez é realmente boa nisso, provavelmente alguém que praticou muito.

Talvez eu apenas seja bem ruim na cozinha (ainda estou aprendendo, um dia farei um pudim assim, marquem minhas palavras) e estivesse pensando de mais sobre um pudim que saiu bonito. Sendo esse o caso ou não escolhi seguir a linha de raciocínio de que esse pudim foi o resultado de alguém dedicando bastante tempo em conseguir fazer um pudim tão bonito.

E ai vem o motivo da supracitada leve tristeza. Imagine a alegria que a “dona Izaleia” sentiu ao completar o pudim que sempre quis. Sentir que toda sua vida teve um propósito do qual você se orgulha, imagino que foi assim que Izaleia se sentiu. Não consigo imaginar alegria melhor.

Não tenho certeza se um dia serei capaz se me sentir tão orgulhoso da minha vida quanto a nossa heroína se sentiu quando terminou O Pudim. E se eu não for capaz de chegar nesse ponto, pra que tentar?

Veja, não falo aqui de me comparar com os outros.

“ela não tinha tempo pra checar os pudins que outra pessoas faziam, estava ocupada fazendo pudins”

Não tem a ver com com ser melhor que os outros, essa jamais foi a preocupação dela. Tem a ver com ser o melhor que você pode ser. E tenho muito medo de não conseguir isso.

Esse conto absurdo e, espero que, engraçado foi feito pra expressar o medo que tenho de não conseguir chegar aonde eu quero na minha vida.

Nunca imaginei que a foto de um pudim poderia ser algo tão amedrontador.

one day, i swear

I’m a mess and you probably shouldn’t involve yourself

But i still wanna make you the happier girl in the world

I’ll probably make mistakes,

Say I’m sorry

And do them again.

But i swear the only thing that i want

Is to make you the happiest girl in the world

This sounds like a bad deal

But i just need one chance

I’ll give my all, and even more

Just to make you feel as happy as i feel around you

Then I’ll fuck things up

And I’ll just need one more chance

And again, and again, and again

I don’t know for how many times

But i swear, one day, I’ll make you the happiest girl in the world

Would you be patient enough to indulge me,

This idiot who can get things right, but just wanna make you the happiest girl in the world?